O impacto urbanístico provocado pela instalação do Polo Cloroquímico

Antes da instalação da Salgema, a Avenida da Paz, no bairro do centro da capital alagoana, próximo ao Pontal da Barra, era uma área nobre da cidade de Maceió, onde foi construído o Edifício São Carlos, a primeira grande unidade multifamiliar da capital, inaugurado em 1964, com onze pavimentos e dois apartamentos por andar. Ao seu lado e com as mesmas características, foi construído o Edifício Núbia, entregue no ano de 1970.

Por se tratar de uma área litorânea, a Avenida da Paz tinha como seu principal atrativo o banho de mar. A faixa frequentada por maior período de tempo foi o trecho entre a Rua Barão de Anadia e a Rua do Imperador, acessos naturais dos moradores dos bairros distantes à praia. 

Fonte: Reprodução/Gazeta de Alagoas

Havia também, na referida avenida, festas carnavalescas e o local foi palco de outros eventos da cidade, principalmente os que exigiam grandes espaços, como os desfiles cívico-militares comemorativos da independência e da emancipação política de Alagoas.

As areias da Praia da Avenida também serviram para receber os primeiros aviões que pousaram em Alagoas, além dos circos que por lá também se instalavam, utilizando o espaçoso terreno onde depois se ergueu o prédio das Lojas Americanas. E nos anos da década de 1960, a avenida foi utilizada como pista de corridas automobilísticas ou para demonstrações de habilidades de alguns pilotos de automóveis e motocicletas.

Pelos eventos que ali aconteciam à época, é possível perceber a dimensão da importância que tinha a referida área para o cotidiano da população.

A fábrica da Salgema passou a se localizar exatamente na Praia da Avenida, que na época era a praia mais badalada da cidade. Com a chegada da fábrica, todo o turismo existente nos arredores foi desaparecendo, de modo que hoje em dia o local é completamente esvaziado e, mesmo com uma praia maravilhosa, é raro ver alguém se banhar naqueles arredores.

Fonte: Reprodução/Comunicação e Crise

Tal esvaziamento daquela importante área se deu devido às muitas alterações nas paisagens da região próxima à Salgema, tendo a Laguna Mundaú como alvo principal das modificações ambientais e sociais. Como, por exemplo, a construção do polo no Complexo Estuarino e drenagens de canais e cortes de floresta de mangue.

Outro marco que representa uma mudança considerável nas proximidades da Salgema foi a necessidade do tombamento do Pontal da Barra como patrimônio cultural do Estado de Alagoas em 1988, através do Decreto nº 33.225, de 14.11.1988, mas a região já havia sido gravemente desfigurada pela imposição da planta da Salgema Indústrias Químicas, com o agravante da duplicação de sua produção alguns anos depois.

O processo de ampliação da Salgema afetou diretamente a comunidade dos bairros do Pontal e do Trapiche e indiretamente a população dos demais bairros envolvidos, como Dique Estrada, Centro de Maceió e demais bairros circunvizinhos, modificando consideravelmente o espaço geográfico da época.

A população ficou com medo da localização da fábrica, tendo em vista que a petroquímica produz químicos extremamente perigosos. Claro que isso não cairia bem com a capital de Alagoas, uma cidade turística, que moveu os investimentos urbanos ligados ao turismo litorâneo para a região mais ao norte, nas praias de Pajuçara, Ponta Verde e Jatiúca, que se tornaram os bairros com mais tráfego de turistas, a fim de conhecerem as belezas naturais do estado.

No blog do Portal Cada Minuto, Celio Gomes, ao noticiar a história da Salgema à Braskem, relatou como a praia da Avenida foi afetada:

“(…) o impacto que a Salgema provocou naquela parte de Maceió, a praia da Avenida, a mais bonita e badalada da capital até meados dos 70, perdeu essa primazia e foi praticamente esquecida. O aparato oficial nem considera aquele trecho do litoral digno de uma rápida visita de turistas. Hotéis e pousadas correram do pedaço e se instalaram no circuito Pajuçara/Ponta Verde/Jatiúca.”

Essas consequências foram sentidas ao longo dos anos e também pelo bairro vizinho do Jaraguá, que, consequentemente, também ficou abandonado até que um projeto da Prefeitura de Maceió, que viria a culminar na expulsão da Vila dos Pescadores desta região, incluiu a revitalização de centros históricos.

Esse projeto só foi lançado anos depois, em 11 de agosto de 1995, no coreto da Avenida da Paz, localizado na Praia da Avenida, pelo Prefeito de Maceió da época, Ronaldo Lessa, mas, em seis anos, a área retornou a ser novamente desabitada como antes.

Fonte: Reprodução/Metrópoles

Deixe um comentário!

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

CONTATO

contato@direitoambiental.abc.br